Codiretora de “A Rainha Nzinga Chegou’, Isabel Casimira Gasparino, encantou plateia no Cine-Teatro Sesi ao falar da experiência de registrar uma viagem às suas raízes africanas

Os debates de quinta-feira (24) na 22a Mostra de Cinema de Tiradentes emocionaram a plateia, que continua a encher o Cine-Teatro Sesi diariamente para os Encontros os Filmes. Temas como identidade racial, representatividade, preconceito e estética negra foram profundamente discutidos em algumas mesas, a partir de filmes exibidos na noite de quarta-feira (24) no evento. Um deles, o longa-metragem “A Rainha Nzinga Chegou”, integrante da Mostra Aurora, levou ao palco a codiretora Isabel Casimira Gasparino e toda sua vivência com a ancestralidade negra.

“Quando digo que tudo é para todo mundo, é porque é. O caminho é longo, mas ele é nosso também, e uma hora ele chega”, disse Isabel, falando da emoção de discutir, em Tiradentes, um filme que trata de ritos transmitidos por sua avó e sua mãe e de heranças africanas que as acompanham por toda a vida. No filme, ela viaja à África em busca de suas raízes e das origens da Rainha Nzinga, experiência registrada no filme junto dela e da codiretora Junia Torres. “Ir ao Congo foi um renascimento e uma reafirmação de que tudo que eu tinha aprendido sobre meus antepassados era verdadeiro”, exaltou.

O debate dos curtas da terceira série da Mostra Foco também trouxe contribuições importantes sobre a presença de negros na realização de filmes, lacuna histórica que só recentemente vem sendo corrigida – mas ainda longe do satisfatório. Diego Paulino, diretor de “Negrum3”, foi o mais questionado durante a conversa, por conta de sua abordagem irreverente e poderosa pelo que ele mesmo define como “um ensaio sobre negritude, viadagem e aspirações espaciais dos filhos da diáspora”.

Debatido também na quinta, o longa-metragem da Olhos Livres “Currais”, documentário cearense de David Aguiar e Sabina Colares, trouxe a memória de campos de concentração na Fortaleza dos anos 1930, levantando diversas questões sobre encenação e registro histórico. “O filme opta pelo dispositivo de ter um ator (Rômulo Braga) mediando a pesquisa que movimenta a narrativa”, comentou Érico Araújo Lima, convidado para falar sobre “Currais”. A diretora reforçou que o maior estímulo era justamente ir a campo aprofundar informações sobre os acontecimentos retratados, a despeito dos perigos que a equipe de filmagem corria por conta de facções que dominam a região mostrada. “Houve riscos reais na produção, muita coisa não pudemos fazer por causa disso”, apontou.

À tarde, o Cine-Teatro foi espaço da mesa “Estratégias de festivais internacionais e a visão de programadores sobre o cinema brasileiro”, reunindo curadores e programadores de eventos como Festival de Veneza, Cannes e Locarno para apresentarem experiências e estratégias de inserção de cinemas nacionais em vitrines estrangeiras. Um dos temas debatidos no encontro, voltado especialmente a profissionais do audiovisual, foi a influência da crítica na definição de filmes. Para Diego Lerer, delegado da Quinzena dos Realizadores (Cannes), a leitura de críticas pertinentes é importante na prospecção, mas há de se ter cuidado com a definição de cânones ou estilos muito específicos que possam eventualmente esconder outros filmes não comentados.

Os integrantes da mesa também falaram sobre a presença de filmes brasileiros em festivais internacionais. María Campaña Ramia, programadora do Ambulante Documentary Film, no México, e por muitos anos diretora de eventos no Equador, enumerou vários títulos que estiveram nas telas dos festivais que ela faz, assim como Mathilde Henrot, que trabalha para Locarno, evento sempre muito bem nutrido de cinema brasileiro.

NAS TELAS

As sessões de cinema desta quinta tiveram início às 16h30, com a série 3 da Mostra Panorama. Na Mostra Valores, foi exibido o documentário “Alma da Cidade”, que retrata as transformações da cidade a partir dos relatos dos personagens. A Mostra Valores é uma iniciativa idealizada pela Universo Produção, com o propósito de dialogar e valorizar ações, projetos e comunidades locais das cidades-sedes de Tiradentes, Ouro Preto e Belo Horizonte no âmbito do Cinema Sem Fronteiras – programa internacional de audiovisual.

A produção goiana marcou presença na Mostra Olhos Livres, com “Parque Oeste”, e na Aurora, com “Vermelha”. A Aurora recebem também o paraibano “Desvio”. Já na Praça, o filme do dia foi “Meu nome é Daniel”.

SOBRE O EVENTO
22ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

PLATAFORMA DE LANÇAMENTO DO CINEMA BRASILEIRO

Considerada a maior manifestação do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão. Busca refletir e debater, em edições anuais, o que há de mais destacado e promissor na nova produção audiovisual brasileira, em longas e curtas, em qualquer gênero e em formato digital. A programação é oferecida gratuitamente ao público e inclui exibição de filmes brasileiros (longas e curtas), pré-estreias, homenagens, debates, encontros com a crítica, o diretor e o público, oficinas, seminário, mostrinha de Cinema, atrações artísticas.

TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.

Serviço
 22ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES | 18 a 26 de janeiro de 2019

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio:  TAESA, KINEA/Itaú, CSN, CBMM, CEMIG, COPASA|GOVERNO DE MINAS GERAIS

Parceria Cultural: SESC em Minas

Fomento: CODEMGE|GOVERNO DE MINAS GERAIS

Apoio: ACADEMIA INTERNACIONAL DE CINEMA, SESI FIEMG, OI, INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL, TRES, WALS CERVEJA ARTE, MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, SENAC, CINEMA DO BRASIL, DOT, MISTIKA, CTAV, NAYMAR, CINECOLOR, GLOBO MINAS, CANAL BRASIL, EMBAIXADA DA FRANÇA, ETC FILMES, NOVA ERA SILICON, POLÍCIA MILITAR, PREFEITURA DE TIRADENTE E CENTRO CULTURAL AIMORÉS.

Incentivo: SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA| MINAS GERAIS

Idealização e realização: UNIVERSO PRODUÇÃO

MINISTÉRIO DA CIDADANIA | GOVERNO FEDERAL

 

LOCAIS DE REALIZAÇÃO DO EVENTO 

Centro Cultural Sesiminas Yves Alves   

Largo das Fôrras 

Largo da Rodoviária

Escola Estadual Basílio da Gama